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O que tenho de quieta entre os homens, tenho de inquieta quando estou trancada no meu quarto com meus papéis e meus livros espalhados pela cama. Ressuscita minha vontade de não ser mais do que devo, ressuscita o desejo árduo de não me perder no labirinto da solidão e da mentira. A claridade que transpassa os poucos centímetros pelas frestas da janela, vem de uma noite que parece não querer acabar, que parece querer me levar para o meio de uma floresta, onde poderei gritar a vontade e saber de onde minhas cordas vocais tiram tanta força, uma experiência científica sobre minhas transgressões, fora do que eu consigo alcançar, longe dos que querem me testar, eu e apenas eu, respectivamente encontrando-me com o que fui no passado e o que serei no futuro, apenas pela voz, os gritos, a normalidade, o sussurro(a quem conheça meus sussurros bem melhor do que eu) , não serei egoísta por lá, não haverá como julgar o que é o egoísmo dentro da realidade vivida por mim hoje.
Tive vontade de voltar a ser um nada por hoje, mas não o nada que acaba no fundo no posso no meio do centro da cidade, mas o nada que pode escrever e andar por ai, sem se preocupar em voltar para o lado de cá, onde há muito tempo já não se existe a passividade, desconfiamos de todos, do homem do chiclete aos nossos próprios julgadores, esses que encarceram os criminosos, quando na realidade o são mais do que os próprios, não sei como ousam julgar, desejo que o peso na consciência os peguem em momento oportuno, lei de ação e reação agindo cautelosamente, arrastando-se como uma cobra, mas não deixando de dar os avisos prévios de sua chegada.
Hoje estou livre, com os sentimentos a flor da pele, nem liguei se não atendi ao telefone tantas vezes, viajei pra longe, derrubei anos e invadi casas sem que as pessoas sequer notassem minha presença, fui rápida, não me demorei em templo algum, conheci o que deveria e depois pulei fora do barco, cai numa água gelada, parecia faca entrando no meu corpo, alguém me jogou uma bóia e eu que não sou boba, agarrei.
:: Postado por
Priscila Martins
às
16h06
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Talvez eu ande querendo o que não me pertença
O que não ufana perante minha realidade
Aquele grão escondido dentro da rosa
Pétalas endurecidas não me deixam ver
Tocar os rostos de velhos guias imaginários
Aparecer diante de um altar do amor
Resguardar-me para a purificação dos dias
Esperar pela espera do outro que não agüenta
Que não sustente o que me deseja
Não se apóie em vis estátuas de madeira
Desejo que troque o espaço
Que mude de faixa para acompanhar
Tenha a vida que te pertence
Entregue-se ao que não te faz mal
Enjoe sobre as más condutas
Se jogue á frente da solidão
Meta as caras quando houver razão
E encontre-se com a tristeza para se despedir
Me procure do outro lado da rua
Mesmo depois do nada,
Depois do tudo
Eu ainda posso estar esperando por você
:: Postado por
Priscila Martins
às
21h38
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Engoli areia seca ontem, aquelas que ficam debaixo de um sol quente de rachar o quengo de qualquer um, tudo depois de andar pela praia deserta rodeada de boas companhias e com um sorriso de orelha a orelha (ainda bem que minhas decepções vêm munidas de boas energias). A temperatura nada agradável do que eu coloquei pra dentro por livre e espontânea pressão queimou as palavras que deveriam ter sido gritadas. O meu corpo ficou sem movimento, uma estátua humana, tudo ao meu redor parou, devo pensar que até os que me ajudam sem que eu perceba tenham parado? Não... Creio que não!
Oportunidades estão se esvaindo no meio de tanta contradição, de causos mal resolvidos, de histórias mal contadas e principalmente mal acabadas. Chego a duvidar até da minha própria consciência nesses momentos de interrogações, não sei no que acreditar, não sei se o chão vai cair de uma próxima vez tão indesejada. Até os cachorros que passam por mim no meio da rua são capazes de perceber um pouco da minha realidade, do que eu quero dizer e mostrar em um simples olhar mais do que decifrável.
Não são códigos, não costumo usá-los em situações tão cômodas e casuais, são percepções sutis que só quem entende pode captar. Não devo mais esperar muito das outras pessoas, a partir de ontem, de hoje, de amanhã... Não esperem muito de mim, as vezes sou alheia ao mundo, ignoro que sou matéria, mais imperfeita que todos, um “subverme” muito feliz em ter sido lembrando pela divindade.
Estou deixando que o tempo leve, que a distância me suplique pelo “pare” tão adiado (ou não). Que o mundo me dê um sinal de fogo a qualquer momento pra que eu não tenho de esperar tanto. Mas quem foi mesmo que disse que eu não tenho de esperar? Por enquanto tenho me feito de cega.
Dá próxima vez, quero o banquinho branco da frente da casa, pra viver todos os dias do começo de uma história.
:: Postado por
Priscila Martins
às
02h11
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